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Após sobrancelhas mal feitas, empresas lucram com despigmentação

Falta de experiência de alguns profissionais resulta em desenhos mal feitos e cores muito escuras, que levam à busca pelo procedimento em clínicas.

Hell Tattoo 1 e 2: antes e depois da despigmentação de sobrancelhas (//Divulgação)


A moda das sobrancelhas marcadas fez crescer a demanda por serviços de pigmentação desde 2015. Mas a rápida expansão desse mercado e a falta de experiência de alguns profissionais aumentaram também a procura pela reversão do procedimento – a despigmentação.

É o que acontece na rede de franquias Estúdio da Sobrancelha, que tem mais de 90 unidades no Brasil. Atualmente, o serviço de despigmentação corresponde a 40% do faturamento total. “Criamos até um novo centro de treinamento de equipe para atender essa demanda com mais excelência”, diz Fabiane Pinheiro, proprietária.

Na FR Microcenter, que tem unidades na Vila Olímpia, em São Paulo, e na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, a busca pelo serviço dobrou de um ano para cá. “A procura por remoção cresceu devido à  quantidade de procedimentos mal feitos, já que o número de profissionais na área aumentou, mas a falta de experiência ainda é grande. Recebemos clientes que fizeram a micropigmentação em outros lugares e chegam com as cores e desenhos mal realizados”, diz Fatima Bahia, uma das sócias.

A micropigmentação consiste no depósito de pigmentos na pele, da mesma forma que a tatuagem – a diferença está no nível de profundidade. Por isso, o tratamento para remoção pode ser a laser, como nas tatuagens, em que o pigmento está mais profundo, ou com aplicação de ácidos, quando o pimento está mais superficial, explica Mariana Mizael, micropigmentadora da Clínica Mais Excelência Médica, que fica na Vila Nova Conceição, em São Paulo.

“A despigmentação química [com ácidos] clareia o pigmento que está implantado após algumas sessões, sem removê-lo totalmente. É indicada quando o desenho não está tão fora das medidas ideais. Já o laser quebra o pigmento em partículas menores, que depois são absorvidas pela pele. É recomendado em casos de erros graves, com grande assimetria e cores muito fortes”, diz ela.

Técnica de correção ganha prêmio

Sobrancelhas muito escuras e desenhos assimétricos são as principais razões da busca pelo serviço, segundo a esteticista e cosmetóloga Kathrin Schmidt, que atua em São José dos Campos (SP). No último mês, ela ganhou o prêmio Permanent Makeup Innovation, no 5º Congresso Científico Internacional de Micropigmentação, realizado no Rio de Janeiro, pela sua técnica de reabilitação micropigmentar.

“Assim como a despigmentação, trata-se de uma técnica de correção de procedimentos inadequados que trabalha com a camuflagem, a neutralização e a cobertura do procedimento anterior. O prêmio reforça a relevância do assunto diante do atual mercado da micropigmentação”, diz Kathrin.

Inverno aumenta a procura

Na clínica Duet, em Campo Grande (Rio de Janeiro), outro fator também faz aumentar o movimento: o inverno. “A procura pela despigmentação tem um aumento de cerca de 30% no inverno, pois a não exposição ao sol é uma recomendação essencial para um bom resultado”, afirma a enfermeira Lisandra Gândara, uma das sócias. Quem faz o procedimento a laser é seu marido e sócio, o médico Luiz Fernando Gândara.

Para operar o laser, é necessário ter formação específica, diz Giancarlo Pincelli, que dá cursos sobre o assunto e realiza o procedimento de remoção em seus estúdios de tatuagem, o Hell Tattoo, em Franco da Rocha e em Francisco Morato (SP). Centros de ensino, clínicas de estética e os próprios fabricantes dos equipamentos oferecem treinamentos, que geralmente são procurados por profissionais de saúde ou micropigmentadores. “No caso de o aparelho ser operado por um micropigmentador, o estabelecimento precisa possuir um responsável técnico da área da saúde”, declara Pincelli.

O número de sessões para a remoção do pigmento varia, assim como o preço nos estabelecimentos consultados. No Hell Tattoo, uma sessão custa a partir de 100 reais. Na rede Sóbrancelhas, o valor é 120 reais por sessão. Na clínica Duet, 250 reais. No Estúdio da Sobrancelha, a partir de 450 reais. Na FR Microcenter, 500 reais. A esteticista e cosmetóloga Kathrin Schmidt cobra a partir de 399 reais a despigmentação e 1.690 reais a reabilitação micropigmentar. Na Clínica Mais Excelência Médica, a partir de 650 reais (laser ou ácido).

Investimento é alto, e negócio é moda

O investimento para oferecer serviços no ramo é grande, pois os equipamentos são de alta tecnologia e muitos são importados, explica Pincelli. “Há aparelhos de laser que custam cerca de 300 mil reais. Além disso, há outros que dão suporte ao procedimento, como o resfriador de pele, que protege e anestesia a área, e custa em torno de 18 mil reais”, diz.

O mercado de beleza e estética é conectado ao da moda e possui altos e baixos, segundo Luciano Salamacha, professor do MBA da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e especialista em gestão de negócios. “É um ramo que requer velocidade de adaptação ao mercado e às mudanças.”

Ele confirma que a despigmentação está em alta por causa da moda da micropigmentação e diz que oferecer os dois serviços é uma boa estratégia de negócio. “É possível alavancar o serviço de pigmentação ao oferecê-lo como complemento da correção de um procedimento mal feito”, afirma.

Salamacha diz que, antes de fazer o alto investimento para oferecer é serviço, é necessário avaliar a demanda e calcular o tempo necessário para recuperar o valor. “Como é um negócio da moda, precisa tomar cuidado porque a procura pelo serviço pode cair da noite para o dia, então, o retorno do investimento precisa ser rápido.”

Mas o mais importante, de acordo com o consultor, é alinhar a expectativa de resultados com o cliente. “Ao reverter um procedimento estético, o resultado final pode não ser o mesmo de antes. Muitas vezes, a técnica até é realizada corretamente, mas não fica como o esperado pelo cliente. Ao deixar tudo explicado, a chance de desapontamento é menor”, recomenda.

Clínica Duet: antes e depois da despigmentação de sobrancelhas (//Divulgação)


 

Fonte: Veja Rio Online